Cartaz da Semana Santa 2014

   
Ver vídeo

PROCISSÃO DO ENTERRO DO SENHOR

 

06-04-2007, Sexta-feira Santa

22:00, Saída da Sé Catedral

 

INTRODUÇÃO

Organizada pelo Cabido da Catedral, Irmandades da Misericórdia e de Santa Cruz e Comissão da Semana Santa, esta imponente procissão – de todas a mais solene e comovente – leva pelas ruas da Cidade o esquife do Senhor morto.

Acompanham-no aquelas e outras irmandades, Real Confraria de Santa Maria de Braga, cavaleiros das Ordens Soberana de Malta e do Santo Sepulcro de Jerusalém, Capitulares da Sé e autoridades. Vão também os andores de Santa Cruz e da Senhora das Dores.

Em sinal de luto,  os Capitulares e os membros das Confrarias vão de cabeça coberta. Para mostrar a sua dor, as figuras alegóricas ostentam um véu de luto. As matracas dos farricocos vão silenciosas. As bandeiras e estandartes, com tarja de luto, arrastam-se pelo chão.


PORQUÊ PROCISSÕES?

A Igreja Católica realiza procissões, lembrando a peregrinação do povo de Deus, na sua passagem pelo mundo, a caminho da «terra prometida». Estes cortejos litúrgicos podem ser de louvor, de acção de graças, de penitência ou de impetração de favores divinos. São actos de culto público.

A procissão de hoje é sobretudo penitencial, sem excluir o louvor a Deus e a transmissão da mensagem evangélica, através de legendas e dos quadros alegóricos.
Há quem procure também apreciar, nestes cortejos, o seu valor estético, histórico e cultural, o que nos parece positivo.

Em horas nocturnas, geralmente frias ou chuvosas, as multidões saem à rua para contemplar, em silêncio respeitoso, a passagem da procissão. O que mais impressiona é que os espectadores são bebés, ao colo dos pais ou nos carrinhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Também é cada vez mais comum a presença de pessoas com deficiência física que participam, certamente com dificuldade, no meio de tanta gente.


«ECCE HOMMO» - EIS O HOMEM

Do Evangelho:

«Logo de manhã, reuniu-se o conselho com os Anciãos e os Escribas e todo o sinédrio. Depois da decisãode mandarem Jesus ao governador romano, Pôncio Pilatos, os soldados ataram-lhe as mãos e levaram-no, para ser julgado pelo poder civil.

Então Pilatos perguntou-lhe: –Tu és o rei dos Judeus?
Ele respondeu: – Tu o dizes.
Pilatos voltou-se para a multidão: – Quereis que vos solte Jesus?
Ele sabia que o tinham entregado por inveja.
A multidão em fúria, respondeu: – SEJA CRUCIFICADO.
Então o governador mandou-o açoitar e mostrou-o ao povo para o mover à compaixão, com estas palavras: ECCE HOMO.
O povo, amotinado, continuava a gritar: – SEJA CRUCIFICADO.
Pilatos mandou buscar água e lavou as mãos, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Soltou lhes Barrabás, cadastrado homicida e entregou--lhes Jesus para que fosse crucificado.»


AO LONGO DOS SÉCULOS

Este cortejo penitencial, em tempos remotos, chegou a ser proibido pelos abusos que se foram introduzindo: exageros nas atitudes penitenciais e aproveitamento de alguns para, de cara velada, insultarem ou desmascararem os desmandos de outros. Além disso aconteciam, por vezes, cenas chocantes de penitentes, desmaiados pelo rigor dos cilícios e autoflagelação. Durante o percurso eram-lhes distribuídos doces e até vinho. O romancista Antero de Figueiredo retrata essas cenas num dos seus livros. Esta procissão foi interrompida, em 1809, pela proibição imposta pelo governo francês, aquando das Invasões. Também pela ocasião da proclamação da República, houve alguns condicionamentos de actos de culto, fora das igrejas.


NA ACTUALIDADE

A procissão organiza-se, hoje, segundo a tradição, com itinerário e conteúdos muito semelhantes aos do passado:

Abre com o desfile dos Farricocos, quase sempre descalços, por sua decisão. São hoje figuras alegóricas dos antigos penitentes públicos. Vestem túnicas negras, cingidas por uma corda; a cabeça é coberta com um pano idêntico e coroa de sisal. Uns transportam uma cesta metálica, com pinhas a arder, empunhada por vara de madeira: são os FOGARÉUS; outros levam matracas, umas caixas de madeira que fazem rodar sobre um eixo, produzindo um ruído característico. O povo chama-lhes «ruge-ruge», porque imitam o som destes dispositivos estridentes.

No cortejo litúrgico desfilam os Irmãos da Santa Casa da Misericórdia, com opa negra e tocha acesa na mão, ladeando os passeios das ruas. No meio destas alas vão as bandeiras da Irmandade, alumiadas por lanternas.

O único andor que é venerado nesta procissão é o do Senhor ECCE  HOMO. A sua imagem, quase desnudada e coroada de espinhos, leva na mão uma cana verde. Por isso é também conhecida por procissão do SENHOR  DA  CANA  VERDE.

Desfilam, no meio do cortejo, muitas crianças, jovens e adultos. Estas figuras alegóricas representam a Última Ceia do Senhor, a prisão, julgamento e condenação de Jesus à morte.

O passo cadenciado dos «pegadores» do andor e o som das bandas de música e das varas dos mesários, a bater no chão, contrastam com o silêncio dos milhares de devotos que assistem à sua passagem, nas ruas da cidade e das janelas das casas.

No ano de 2004 foram introduzidos alguns quadros alusivos à história da Misericórdia e à vivência das 14 Obras de Misericórdia, com pinturas sobre telas.

As figuras da Rainha D. Leonor e de Frei Miguel Contreras, seu conselheiro espiritual, evocam a origem das Misericórdias em Portugal. A seguir desfilam figuras das principais personalidades da fundação da Misericórdia, na cidade de Braga: D. Diogo de Sousa (1505-1532), Arcebispo da fundação, D. Frei Baltazar Limpo (1532-1558) e Beato Frei Bartolomeu dos Mártires, da fundação e dedicação da Igreja da Misericórdia, em 1562 e D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) o único Arcebispo que, além de Benfeitor, foi também Provedor (1709-1712).

Há duas imagens de granito de 1723, colocadas na fachada da Igreja da  Misericórdia, da Rainha Santa Isabel e de S. Luís, Rei de França, ambos bem conhecidos pela sua caridade com os pobres. Por esta razão também desfilam figuras destes santos protectores.

Esta procissão também é chamada de ENDOENÇAS, palavra derivada de indulgências. Neste dia a Igreja, pela boca de Jesus Cristo, proclama o Mandamento Novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Nisto conhecerão que sois meus amigos.» Este mandamento exige o perdão, indulgência, neste dia da Ceia do Senhor, quando nos deixou o Seu testamento de Amor e ficou presente no Sacramento da Eucaristia.

O Cortejo é encerrado pelo Pálio, sobre o qual vai o Prelado com a relíquia da verdadeira Cruz, que se chama Santo Lenho, e que está guardada num pequeno ostensório de prata dourada, confeccionado em 1760.

No couce da Procissão vai o Provedor e o Capelão da Santa Casa da Misericórdia. Fecha o cortejo uma banda de música.

Há muitas pessoas que, por devoção, incorporam a cauda do cortejo, acompanhando todo o percurso. Nas janelas e sacadas assistem os moradores e seus amigos, colocando colchas e colgaduras e, algumas vezes, velas acesas.


ITINERÁRIO

A procissão percorre o seguinte itinerário: Sé, Rua D. Gonçalo Pereira, Largo de S. Paulo, Largo de Paulo Orósio, Rua do Alcaide, Campo de Santiago, Rua do Anjo, Rua de S. Marcos, Largo Barão de S. Martinho, Rua do Souto, Largo do Paço, Rua D. Diogo de Sousa, Arco da Porta Nova, Av. S. Miguel-o-Anjo, Rua D. Paio Mendes, Sé.

 



Patrocinadores da Semana Santa de Braga 2014

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Ir para o site

Cabido Metropolitano e Primacial Bracarense | Comissão da Semana Santa
Rua D. Paio Mendes, 4700-424 Braga | T +(351) 253 263 317 | F +(351) 253 263 731 | info@semanasantabraga.com